Antigamente existia o Caos... era a forma como o mundo existia.
Tudo estava misturado, embora houvesse luz, as massas estavam tão cumprimidas que uma bagunça de escuridão e sombras é o que se percebia. Cansado dessa desordem o deus Sol separou-se na tentativa de se organizar. A luz jogou a compreensão sobre todas as formas e um início de organização começou. A luz do Sol atingiu o Céu, que lembrando da sua divindade, orquestrou os planetas e as estrelas sob o seu próprio corpo. A Terra percebeu a beleza de criar e enfeitou-se de filhos... depois nasceram outros filhos, belos, lindos, as vezes bagunçados internamente, mas com a mesma capacidade de estruturação externa.
Hoje... nessa epóca onde esquecemos os valores de um Deus, ou de vários. Quando a minha felicidade é mais importante que a do outro... A Terra está gasta, velha, carcomida em recursos, cria tempestades, terremotos, gazes, no desespero de se tornar novamente uma deusa-mãe. O Céu assiste escandalizado, com receio de que o homem descubra outros planetas para destruir. O Sol está se apagando, lentamente, controlando a custo, o impulso de explodir. O homem esqueceu, porque no inverno e nas certezas que só essa raça consegue ter, a porção daquele deus poderoso que fomos, que fizemos parte um dia - o Caos, e que lutamos para controlar.
Dentro da gente pulsa mais que um coração, pulsa um anseio por voltar as origens, para voltar a desordem. Para voltarmos a ser Caos. Mas, o que não pode ser esquecido é que separar-se dele foi uma evolução, e mesmo que ele tenha se dividido em porções dentro da gente, faz parte de um novo crescimento não ceder. Essa destruição é um grande passo atrás.